NOMES POPULARES DA ERVA MATE

 

Nomes populares

             A erva mate é conhecida popularmente também como mate, chá mate, chá-do-paraguai, chá-dos-jesuítas, chá-das-missões, mate-do-paraguai, chá-argentino, chá-do-brasil, congonha, congonha-das-missões, congonheira, erva, mate legítimo, mate verdadeiro.

 

            Outras denominações populares de menor disseminação incluem: erva-de-são bartolomeu, orelha-de-burro, chá-do-paraná, congonha-de-mato-grosso, congonha-genuína, congonha mansa, congonha verdadeira, erva senhorita.

 

            As denominações indígenas para a erva mate são caá, caá-caati, caá-emi, caá-ete, caá-meriduvi e caá-ti.

 

OS MANDAMENTOS DO CHIMARRÃO

 

Os dez mandamentos do chimarrão

 

            Segundo PÉRCIO DE MORAES BRANCO, colaborador do “Tchê”, o hábito do chimarrão, para ser apreciado devidamente, requer a obediência a certos princípios.

 

I.                     Não peças açúcar no mate

O gaúcho aprende desde piazito que e por que o chimarrão se chama também mate amargo ou, mais intimamente, amargo apenas. Mas, se tu és dos que vêm de outros pagos, mesmo sabendo, poderás achar que é amargo demais e cometer o maior sacrilégio  que alguém pode imaginar neste pedaço de Brasil: pedir açúcar. Pode-se pôr na água ervas exóticas, cana, frutas, cocaína, feldspato, dólar, etc., mas jamais açúcar.

O gaúcho pode ter todos os defeitos do mundo, mas não merece ouvir um pedido desses. Portanto, tchê, se o chimarrão te parece amargo demais, não hesites; pede uma Coca-Cola com canudinho. Tu vais te sentir bem melhor.

 

II.                    Não digas que o chimarrão é anti-higiênico

Tu podes achar que é anti-higiênico pôr a boca onde todo mundo põe. Claro que é. Só que tu não tens o direito de proferir tamanha blasfêmia em se tratando do chimarrão. Repito: pede uma Coca-Cola com canudinho. O canudo é puro como água de sanga (pode haver coliformes fecais e estafilococos dentro da garrafa, não nele).

 

III.                  Não digas que o mate está quente demais

Se todos estão chimarreando sem reclamar da temperatura da água, é porque ela é perfeitamente suportável por pessoas normais. Se tu não és uma pessoa normal, assume e não te fresqueies. Se, porém, te julgas perfeitamente igual às demais, faz o seguinte: vai para o Paraguai. Tu vais adorar o chimarrão de lá.

 

IV.                Não deixes um mate pela metade

Apesar da semelhança que existe entre o chimarrão e o cachimbo da paz, há diferenças fundamentais. Com o cachimbo da paz, cada um dá uma tragada e passa-o adiante. Já o chimarrão não. Tu deves tomar toda a água servida, até ouvir o “ronco” da cuia vazia. A propósito, leia o mandamento seguinte.

 

 

V.                 Não te envergonhes do “ronco” no fim do mate

Se, ao acabar o mate, sem querer fizeres a bomba “roncar”, não te envergonhes. Está tudo bem, ninguém vai te julgar mal-educado. Este negócio de chupar sem fazer barulho vale para Coca-Cola com canudinho, que tu podes até tomar com o dedinho levantado.

 

VI.               Não mexas na bomba

A bomba do chimarrão pode muito bem entupir, seja por culpa dela mesmo, da erva mate ou de quem preparou o mate. Se isso acontecer, tens todo o direito de reclamar. Mas, por favor, não mexas na bomba. Fale com quem te ofereceu o mate ou com quem te passou a cuia. Mas não mexas na bomba, não mexas na bomba e, sobretudo, não mexas na bomba.

 

VII.              Não alteres a ordem em que o mate é servido

Roda de chimarrão funciona como cavalo de leiteiro. A cuia passa de mão em mão sempre na mesma ordem. Para entrar na roda, qualquer hora serve, mas, depois de entrar, espera sempre a tua vez e não queiras favorecer ninguém, mesmo que seja a mais Prendada Prenda do Estado.

 

VIII.            Não “durmas” com a cuia na mão

Tomar mate solito é um excelente meio de meditar sobre as coisas da vida. Tu mateias sem pressa, matutando, recordando... E às vezes, te surpreendes até imaginando que a cuia não é cuia, mas o quente seio daquela chinoca morena faceira que apareceu no baile do Gaudêncio... Agora, tomar chimarrão numa roda é mui diferente. Aí o fundamental não é meditar e sim integrar-se à roda. Numa roda de chimarrão, tu falas, discutes, ris, xingas, enfim, tu participas de uma comunidade em confraternização. Só que esta tua participação não pode ser levada ao extremo de te fazer esquecer da cuia que está em tua mão. Fala quando quiseres, mas não te esqueças de tomar teu mate, que a moçada tá esperando.

 

IX.               Não condenes o dono da casa por tomar o primeiro mate

Se tu julgas o dono da casa um grosso por preparar o chimarrão e tomar ele próprio o primeiro, saibas que o grosso és tu. O pior mate é o primeiro, e quem o toma está te prestando um favor.

 

X.                 Não digas que o chimarrão dá câncer na garganta

Pode até dar. Mas não vais ser tu, que pela primeira vez pegas na cuia, que irás dizer, com ar de entendido, que o chimarrão é cancerígeno. Se aceitaste o mate que te ofereceram, toma e esquece o câncer. Se não der para esquecer, faz o seguinte: pede uma Coca-Cola com canudinho que ela... etc., etc.